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sábado, 14 de junho de 2014

O que a Biomedicina significa pra mim. Por Andréia Marques


Caros leitores, tive uma ideia de abrir espaço aqui no Síntese Biomédica para que alunos, professores e profissionais biomédicos pudessem expressar o significado que essa nobre profissão tem em suas vidas.



Gostaria de lhes apresentar a brilhante aluna Andréia da Costa Marques que gentilmente se dispôs a escrever para o Síntese. Ela está no terceiro semestre de Biomedicina e estuda na Faculdade Icesp Promove de Brasília.



Ela diz que:







"Biomedicina é diagnóstico, é vida é minha vida.  Não existe meios termos ou talvez.  Não escolhi Biomedicina,  ela simplesmente me escolheu e seguirei esse caminho sem hesitações."


É isso ae Andréia, siga sempre com essa determinação pois assim o seu sucesso profissional estará garantido!  Obrigado pela participação!



Atenciosamente, Rafael Brandão - Biomedicina 


Boa notícia!!

RETIFICAÇÃO DO EDITAL DA SES/2014

Olá caros leitores, para os meus nobres colegas de profissão que estão ansiosos aguardando o concurso público da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), segue uma boa notícia. 



Na página 31 do Diário Oficial do Distrito Federal desta sexta-feira, 13 de junho de 2014, foi divulgada a primeira retificação do concurso público 01/2014 da Secretaria de Estado de Administração Pública do Distrito Federal (SEAP - DF).

Foto 1 - Alunos de Biomedicina em protesto em frente a
Secretaria deSaúde do Distrito Federal no dia
03 de junho de 2014

Para a função de Biomédico do cargo de Especialista em Saúde, ficam acrescidas 22 vagas imediatas e 28 para cadastro de reserva, passando para 26 e 34, respectivamente, as quantidades oferecidas. Já para Farmacêutico-Bioquímico/ Laboratório (Especialista em Saúde) foram excluídas 22 oportunidades imediatas e 28 para CR, totalizando 30 e 50 vagas, respectivamente. O total geral não foi alterado.



Vale lembrar do enorme esforço e dedicação dos alunos que no dia 03 de Junho de 2014 se reuniram em protesto em frente a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (foto1).

Alunos de Biomedicina das Faculdades Integradas UnIcesp Promove de Brasília e da Faculdade Anhanguera reivindicaram, de maneira pacífica, o aumento no número de vagas para Biomédicos nesse concurso. A maioria desses alunos tinham outras responsabilidades e compromissos para aquele dia, mas em vista da importância desse ato, todos resolveram participar. E deu certo!

Profª MsC Graziela Araújo, Drª Maria do Socorro
Veras Dr Bruno Lacerda e alunos
Liderados pelo Sindicado dos Biomédicos, Exmª Drª Maria do Socorro Veras e dos coordenadores Drª Graziela Araújo e Dr Bruno Lacerda (foto 2) os alunos exigiram a presença do então Secretário de Saúde Elias Fernando Miziara que havia prometido 50 vagas para Biomédicos.

Tais esforços, do Sindicato dos Biomédicos e dos alunos de Biomedicina que ali compareceram, tiveram fundamental importância para que houvesse a retificação desse edital. 


Valeu a pena! Essa foi mais uma vitória da Biomedicina no Distrito Federal.

Parabéns alunos! Essa conquista vai refletir consideravelmente em nossa profissão. Muito obrigado Sindicato dos Biomédicos pela dedicação a essa causa.

Alunos de Biomedicina das Faculdades
Integradas UnIcesp Promove de Brasília
Os candidatos devem se inscrever preenchendo um formulário das 8h do dia 16 de junho de 2014 às 22h de 23 de julho de 2014 no endereço eletrônico www.iades.com.br. A taxa é de R$ 42,00.

Em 7 de setembro de 2014, provavelmente, nos turnos da manhã e tarde, de acordo com o cargo, haverá prova objetiva para todos os inscritos. Os locais e horários serão divulgados em 28 de agosto de 2014.

Bons estudos a todos que forem participar desse Concurso Público!



domingo, 1 de junho de 2014

Papilomavírus humano - HPV

Caros leitores, os papilomavírus são patógenos responsáveis pelo desenvolvimento de tumores benignos e malignos de pele e de mucosas. Pertencem à família Papillomaviridae, gênero Papillomavirus, espécie Human papillomavirus – HPV, que correspondem a uma das oito espécies incluídas no gênero. Os HPVs são classificados em genotipos, com base na comparação de seqüências do gene L1.

Seu genoma circular, com cerca de 8.000 pares de bases, é formado por duas fitas de DNA, com oito genes e uma região não codificadora, de controle da origem da replicação e da expressão dos genes reguladores da transcrição. Os HPVs infectam inicialmente as células da camada profunda. Seu genoma pode ficar sob a forma circular (epissomal), dentro do núcleo da célula ou sofrer ruptura na região de E2 e se integrar ao DNA celular. Essa integração tem consequências na produção de outras proteínas precoces do vírus e que são responsáveis pela transformação celular.

O ciclo biológico dos HPVs na pele ou mucosas tem início quando as partículas virais penetram nas células da camada profunda, que são as células menos diferenciadas do epitélio escamoso, e que ainda têm atividade mitótica.

Fissuras nesse epitélio possibilitam o acesso do vírus a essas células. O vírion viral entra na célula pela interação das proteínas do capsídeo com receptores específicos da superfície celular. 

Apesar de todo o progresso conquistado nas últimas décadas sobre o conhecimento dos papilomavírus humanos, seu inequívoco papel no desenvolvimento do carcinoma escamoso de colo uterino e as fortes evidências de sua participação no câncer de pênis, a incidência dessas doenças é muito elevada nos países em desenvolvimento, quando comparada aos dados de países desenvolvidos.

Referência bibliográfica: 

Geni N. N. de Lima Camara, Márcio Rojas Cruz, Verônica Sales Veras, Cláudia Renata F. Martins. Os papilomavírus humanos – HPV: histórico, morfologia e ciclo biológico. Universitas Ciências da Saúde - vol.01 n.01 - pp. 149-158.

Espero ter ajudado!!




terça-feira, 27 de maio de 2014

Teste de ELISA

Caros leitores, um dos principais testes utilizados no imunodiagnóstico de HIV ( Human Immunodeficiency Vírus), vírus causador da AIDS (Síndrome da Deficiência Imunológica Adiquirida) é o teste ELISA. 

Na aula prática de Virologia que foi ministrada no dia 20 de maio de 2014 no laboratório da Faculdade Icesp Promove de Brasília pelo ilustre Professor Mestre Leandro, foram ressaltados aspectos essenciais sobre imunologia e virologia clínica.

Raquel Alves, T. Tuany, Zonaite Gomes, Rafael Brnadão e  Iolanda Bianca
Entendeu-se que o teste de ELISA (“Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay) se baseia reações antígeno-anticorpo detectáveis através de reações enzimáticas. A enzima mais comumente utilizada nestas provas é a peroxidase, que catalisa a reação de desdobramento da água oxigenada (H2O2) em H2O mais O2. 

Segundo Duarte 1998, existem vários modelos de testes de ELISA; em sua forma mais simples, chamada ELISA indireto, um antígeno aderido a um suporte sólido (placa de ELISA) é preparado; a seguir coloca-se sobre este os soros em teste ( ex. soro humano), na busca de anticorpos contra o antígeno. Se houver anticorpos no soro em teste ocorrerá a formação da ligação antígeno-anticorpo, que posteriormente é detectada pela adição de um segundo anticorpo dirigido contra imunoglobulinas da espécie onde se busca detectar os anticorpos (humana, no caso), a qual é ligada à peroxidase. Este anticorpo anti-IgG, ligado à enzima denomina-se conjugado.

Ao adicionar-se o substrato apropriado para a enzima (isto é, H2O2 dissolvida em uma substancia química que dá uma reação colorida quando H2O2 é desdobrada). Os orifícios onde ocorreu a reação antígeno-anticorpo apresentam uma coloração (variável dependendo do substrato). (Duarte 1998)

Outro método é o chamado ELISA de bloqueio ou competição, em que a presença de anticorpos em determinado soro é revelada pela competição com um anticorpo específico (mono ou policlonal) dirigido contra o antígeno. Igualmente, o resultado é dado pela adição de um conjugado, porém a coloração aparecerá nos orifícios onde não havia anticorpos. A seguir, temos um modelo de teste de ELISA de bloqueio, desenvolvido por nós e utilizado amplamente em nosso laboratório para o diagnóstico de anticorpos contra herpesvírus bovinos. (Castilho; Bastos; Scwarcwald; Fonseca, 2000)

Método:

1 – Sensibilizar as placas de ELISA com o antígeno, previamente diluído (no nosso exemplo, diluído a 1/200, correspondente à diluição considerada ótima em titulações anteriores), em tampão carbonato (vide fórmulas no final), 100 ul por orifício, e incubar overnight a 4 oC. Isto permitirá a ligação do
antígeno à placa. 

2- No dia seguinte, remover a solução de antígeno e lavar a placa 3 vezes com líquido de lavagem de ELISA (PBS-T20), em volume de 100 ul por orifício.

3- A placa pode então ser armazenada para uso posterior (em sacos plásticos fechados a – 20 oC, ou utilizada imediatamente.

4- Acrescentar os soros a testar em uma diluição previamente determinada ( 1⁄2 em nosso exemplo), preparada em líquido de lavagem, em volumes de 100 ul/orifício. Incubar por uma hora a 37 oC.5- Remover a diluição dos soros e lavar três vezes com líquido de lavagem.

6- Acrescentar 100 ml por orifício de uma diluição apropriada do anticorpo monoclonal (1:1000 em nosso exemplo), preparada em líquido de lavagem. Incubar por uma hora a 37 oC.

7 - Remover o anticorpo monoclonal e lavar três vezes com líquido de lavagem.

8- Acrescentar 100 ml por orifício de uma diluição apropriada do conjugado (anti- IgG de camundongos; 1:1000 em nosso exemplo), preparada em líquido de lavagem. Incubar por uma hora a 37 oC.

9- Remover a diluição de conjugado e lavar três vezes com líquido de lavagem.

10- Acrescentar 100 ml por orifício de uma solução de OPD (ortofenilenodiamina) preparada em tampão citrato-fosfato acrescentado de 0,001% de H2O2. Incubar por 15 minutos a 37 oC.

11- A reação é interrompida pela adição de 50 ml por orifício de uma solução de H2SO4 2M.

12- Os resultados são obtidos com base na leitura da densidade ótica
(D.O.) em espectrofotômetro com filtro de 492 nm. (podendo este filtro variar de acordo com o estipulado na bula do kit do teste) (Marques; Latorre; Della; Pluciennik; Salomão, 2002)

Referências Bibliográficas:


Duarte G. Síndrome da imunodeficiência adquirida tipo-1 e gravidez. In: Cunha SP, Duarte G, editores. Gestação de Alto Risco. 1a ed. São Paulo: Medsi; 1998. p.227-46.


Castilho EA, Bastos FI, Scwarcwald CL, Fonseca MGM. A AIDS no Brasil: uma epidemia em mutação.  Cad Saúde Publica 2000; 16 (Suppl 1):4-5 

Marques HHS, Latorre MRDO, Della Negra M, Pluciennik AMA, Salomão MLM. Falhas na
identificação da infecção pelo HIV durante a gravidez em São Paulo. Rev Saúde Pública 2002; 36:385-92.



Espero ter ajudado!!

Atenciosamente, Rafaell Silva Brandão


sexta-feira, 16 de maio de 2014

17º Encontro Nacional de Biomedicina - ENBM

Caros leitores, vem aí o 17° Encontro Nacional de Biomedicina! Na oportunidade serão mininstrados cursos teórico-práticos, cursos pré-congresso, minicursos, palestras e simpósio.


Esta edição acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de Outubro, na cidade de Botucatu - São Paulo.

Então não perca tempo e faça logo sua inscrição pelo site: www.enbm.com.br

Visite a página no facebook: www.facebook.com/encontro.nacionaldebiomedicina

Instagram: @ENBMOFICIAL

Atenciosamente - Iolanda Bianca - Biomedicina



terça-feira, 13 de maio de 2014

Aula prática de Análises Físico-Químicas

Caros leitores, nesta sexta-feira dia 09 de maio de 2014, atendendo um convite do nosso professor Eng MsC Cláudio Augusto, tivemos a honra de receber em nossa faculdade a presença do ilustre Químico Dr Geraldo Fagundes do Laboratório Tommasi Analítica (foto).

A primeira vez que tivemos a visita do Dr Geraldo foi no dia 11 de Abril de 2014 onde na oportunidade ele palestrou sobre análises ambientais despertando o interesse de vários alunos sobre essa área de atuação.

No dia seguinte (12 de abril) ele nos concedeu a honra de numa visita técnica no laboratório em que ele trabalha. E sem nenhum tipo de demagogia, posso afirmar que foi incrível. Podemos conhecer a fundo sobre essa área de atuação em que o profissional biomédico pode atuar.

Conhecemos toda a infraestrutura do laboratório, seus modernos equipamentos, sobre a rotina dos profissionais que ali trabalham e muito mais.

A empresa Tommasi Analítica faz parte de um conceituado grupo empresarial chamado de Grupo Tommasi, que por sua vez, tem seu desenvolvimento focado nas áreas de saúde e biotecnologia atuando diretamente nas áreas de análises ambientais e de alimentos, realizando ensaios de microbiologia, físico-química, cromatografia, análises de metais e moleculares.

Em Brasília a empresa tem unidade na Avenida Areal, QS 05, lote 36, Areal - Taguatinga/DF. (mais sobre a empresa acesse: http://www.tommasianalitica.com.br/ ).

Desde já, gostaria de em nome de todos os alunos do 6º Período de Biomedicina da Faculdade Icesp Promove de Brasília, agradecer a atenção do Dr Geraldo Fagundes ao dispor de seu tempo para dividir seus conhecimentos técnicos conosco. Muito obrigado!



Atenciosamente, Rafael Silva Brandão


domingo, 13 de abril de 2014

O álcool no organismo

Caros leitores, de forma bem simples e resumida, preparei uma breve explicação sobre o álcool no organismo humano. Especificamente sobre a sua fisiologia. Espero que seja útil.

Quando se fala de dependência química, a preocupação maior é com as drogas ílícitas (ex.: cocaína, maconha, crack, ecstasy e etc.) No entanto, o grande inimigo está camuflado sob o manto do socialmente aceito. O álcool nem sequer é considerado como uma droga que causa dependência física e psicológica por grande parte da sociedade. Sua venda é livre e ele integra a cultura atual ligada ao lazer e à sociabilidade. (Dr Dráuzio Varella)

Ao ingerir bebida alcoólica, a bebida desce pelo esôfago e chega ao estômago, onde cerca de 20% das moléculas de etanol são absorvidas e entram no sangue. O restante das moléculas de etanol passa o intestino delgado, onde as moléculas são absorvidas e caem na corrente sanguínea. (GUYTON & HALL 11 ed.)

Uma vez no sangue, as moléculas de etanol são transportadas para todos os tecidos do corpo atingindo órgãos como fígado, cérebro, rins e coração e etc. Após absorvido pelo sangue, 10% do álcool é eliminado pelo suor, saliva, urina e pela respiração (processo que permite que a bebida seja detectada por bafômetros)

A maior parte do álcool  é metabolizada pelo fígado, ou seja, as moléculas de etanol são quebradas em partes menores até serem transformadas em gás carbônico e água. Vale ressaltar que o fígado consegue processar apenas uma dose de álcool por hora (o equivalente a uma latinha de cerveja) Acima disto, (e intoxicando o corpo) até ser completamente destruído pelo fígado. (GUYTON & HALL 11 ed.)

RESSACA:

Ao beber, o nível de glicose no sangue diminui contribuindo para as sensações de cansaço, fraqueza e alterações de humor. Provoca a dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro, provocando dor. Desregula a produção de glutamina, um estimulante natural do organismo. isto agita o cérebro impedindo um sono profundo e reparador.

A sede e  boca seca na manhã seguinte são sinais de que o corpo está desidratado. A bebida ataca o aparelho digestivo e aumenta a produção de suco gástrico e de secreções intestinais, podendo resultar em gastrite, náusea e vômitos.

Os neurotransmissores, responsáveis por captar estímulos como luz e sons, são inibidos pelo álcool. Quando o efeito passa ficam superestimulados e a pessoa fica mais sensível.

DICAS PARA DIMINUIR A RESSACA

O descanso é recomendável para se recuperar de qualquer condição que comprometa a saúde. Evitar tomar qualquer medicação para ressaca que contenha Paracetamol, como analgésicos, pois sobrecarregam o fígado. Tomar mais bebida só atrasa a desintoxicação do corpo e o efeito rebote será ainda pior quando parar de beber. 

Para repor a água perdida pelo corpo após a bebedeira, tomar bastante líquido. E como a bebida diminui a glicose, recomenda-se que haja uma boa alimentação principalmente rica em carboidratos.

PROBLEMAS CLÍNICOS DO ALCOOLISMO

A ingestão contínua do álcool desgasta o organismo ao mesmo tempo em que altera a ente. Surgem, então, sintomas que comprometem a disposição para trabalhar e viver com bem estar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade no trabalho, podendo levar à desagregação familiar e ao desemprego. 

Alguns acham que é falta de vergonha; outros, que é falta de força de vontade, personalidades desajustadas, problemas sexuais, brigas familiares, etc.; outros acham que leva algum tempo para desenvolver tal "vício"; outros, acham até, que é "coisa do capeta".

A verdade é que algumas pessoas nascem com o organismo predisposto a reagir de determinada maneira quando ingerem o álcool. Aproximadamente dez em cada cem pessoas nascem com essa predisposição, mas só desenvolverão esta doença se entrarem em contato com o álcool. (GUYTON & HALL 11 ed.)

Existem hoje na literatura, diversos estudos que tratam a respeito do álcool. Vale a pena estudar mais a respeito.


Espero ter ajudado.


Atenciosamente, Rafael Brandão.

sábado, 22 de março de 2014

Diabetes Mellitus - Revisão bibliográfica

Caros leitores, devido a notável complexidade da disciplina de Análises Clínicas, resolvi elaborar uma pequena revisão bibliográfica sobre Diabetes Mellitus. Declaro que tal abordagem sobre assunto tem caráter exclusivamente acadêmico, e não deve servir como base para tratamentos ou indicações terapêuticas. Ressalto que tratamentos e recomendações terapêuticas são de responsabilidade exclusiva de médicos. A reprodução desse material é permitida desde que sejam citadas suas respectivas referências bibliográficas.

Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus inclui um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção de insulina e/ou em sua ação. A hiperglicemia se manifesta por sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia e visão turva ou por complicações agudas que podem levar a risco de vida: a cetoacidose diabética e a síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica. A hiperglicemia crônica está associada a dano, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sangüíneos. (GROSS, Jorge L. et al.)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS 2001) o Diabetes Mellitus é um problema de saúde pública mundial. Estima-se que existam mais de 150 milhões de pessoas com diabetes no mundo, sendo que algumas projeções da OMS para 2025 sugerem que esse número possa chegar a 300 milhões.

No Brasil, aproximadamente 50% das pessoas com diabetes desconhecem sua condição mórbida sendo que 10% delas são portadoras de diabetes do tipo I. Em alguns países esse percentual sobe para 80% (OMS 2001).

Mesmo com o advento de novas tecnologias, o avanço da medicina e uma elevada otimização dos métodos de diagnóstico, lamentavelmente o diabetes ainda é, hoje, uma das principais causas de incapacitação física para o trabalho, tornando o seu portador 25 vezes mais propenso à cegueira, 17 vezes mais susceptível à nefropatia, com chances cinco vezes maiores de uma amputação de membros e o dobro de risco de uma doença cardiovascular. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

O diabetes está associado ao aumento da aterosclerose, observada em autópsias de infarto agudo do miocárdio, elevando as chances de desenvolver trombose e infarto cerebral, bem como gangrena de membros inferiores, numa incidência duas vezes maior que a população não-diabética. Embora a aterosclerose isolada seja um importante fator de risco para essas afecções, freqüentemente ela é complicada pela presença da microangiopatia diabética disseminada. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Alterações da tolerância a glicose e diabetes são freqüentes na população adulta e estão associados a um aumento da mortalidade por doença cardiovascular e complicações microvasculares. O diagnóstico destas situações deve ser feito precocemente, utilizando métodos sensíveis e acurados. (GROSS, Jorge L. et al.)

GROSS, Jorge L. et al. Afirmam que o teste oral de tolerância à glicose é o método de referência, considerando-se a presença de diabetes ou tolerância à glicose diminuída quando a glicose plasmática de 2h após a ingestão de 75g de glicose for ³200mg/dl ou ³140 e <200mg/dl, respectivamente. Quando este teste não puder ser realizado, utiliza-se a medida da glicose plasmática em jejum, considerando-se como diabetes ou glicose alterada em jejum quando os valores forem ³126mg/dl ou³110 e <126mg/dl, respectivamente.

A medida da glico-hemoglobina não deve ser utilizada para o diagnóstico, mas é o método de referência para avaliar o grau de controle glicêmico longo prazo.

A classificação etiológica proposta atualmente para o diabetes melito inclui 4 categorias: diabetes melito tipo 1, diabetes melito tipo 2, outros tipos específicos de diabetes e diabetes gestacional. A classificação do paciente é usualmente feita em bases clínicas, mas a medida de auto-anticorpos e do peptídeo C pode ser útil em alguns casos. (GROSS, Jorge L. et al.)

Estudos de intervenção demonstraram que a obtenção do melhor controle glicêmico possível retardou o aparecimento de complicações crônicas microvasculares, embora não tenha tido um efeito significativo na redução de mortalidade por doença cardiovascular. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Estudo demonstrou que é possível diminuir significativamente a incidência de novos casos de diabetes através de medidas de intervenção como a realização de exercícios físicos e redução de peso em pacientes com alterações da homeostase glicêmica ainda não classificadas como diabetes. (Tuomilehto J. 2001)

O diagnóstico do diabetes baseia-se fundamentalmente nas alterações da glicose plasmática de jejum ou após uma sobrecarga de glicose por via oral. A medida da glico-hemoglobina não apresenta acurácia diagnóstica adequada e não deve ser utilizada para o diagnóstico de diabetes. (GROSS, Jorge L. et al.)

GROSS, Jorge L. et al., afirmam que para que o diagnóstico seja estabelecido em adultos fora da gravidez, os valores devem ser confirmados em um dia subseqüente, por qualquer um dos critérios descritos. A confirmação não é necessária em um paciente com sintomas típicos de descompensação e com medida de níveis de glicose plasmática ³200mg/dl.

Os critérios diagnósticos baseiam-se na glicose plasmática de jejum (8 horas), nos pontos de jejum e de 2h após sobrecarga oral de 75g de glicose (teste oral de tolerância à glicose – TOTG) e na medida da glicose plasmática casual. O quadro inclui as diversas categorias diagnósticas para adultos e para o diabetes gestacional. (GROSS, Jorge L. et al.)

Para o diagnóstico do diabetes em crianças que não apresentam um quadro característico de descompensação metabólica com poliúria, polidipsia e emagrecimento ou de cetoacidose diabética, são adotados os mesmos critérios diagnósticos empregados para os adultos. Quando houver a indicação de um TOTG, utiliza-se 1,75g/kg de glicose (máximo 75g). (GROSS, Jorge L. et al.)


Aspectos laboratoriais da medida da glicose plasmática

A glicose, idealmente, deve ser medida em plasma livre de hemólise. Os anticoagulantes mais comuns (heparina, EDTA, citrato, oxalato) não interferem na dosagem. A glicose no sangue total sofre glicólise a uma velocidade considerável (7mg/dl/h) quando conservada na temperatura ambiente (18-25°C), portanto a amostra deve ser centrifugada imediatamente após a coleta. O plasma deve ser separado das células o mais rápido possível e é estável por 48 horas sob refrigeração. Quando este procedimento não pode ser realizado, é recomendado que a coleta seja feita em tubos acrescidos de um inibidor da glicólise, como o fluoreto de sódio. O sangue total fluoretado, refrigerado ou mantido em banho de gelo, previne a glicólise por 1 hora. O jejum recomendado é de no mínimo 8 horas, tanto para as dosagens de jejum isoladas como para o TOTG. (GROSS, Jorge L. et al.)

Os métodos de análise preferidos são os enzimáticos e os métodos químicos estão em desuso por não apresentarem a especificidade adequada. Várias enzimas, com especificidade máxima para a glicose, têm sido empregadas nos reagentes atuais. A glicose oxidase é a mais usada, mas enzimas como a hexoquinase e a glicose desidrogenase também podem ser utilizadas. Os métodos enzimáticos são exatos, precisos, baratos e podem ser facilmente automatizados. (GROSS, Jorge L. et al.)

AVALIAÇÃO DO CONTROLE GLICÊMICO DO PACIENTE DIABÉTICO

Depois de estabelecido o diagnóstico de diabetes, os pacientes iniciam diversas modalidades de tratamento para corrigir a hiperglicemia, procurando atingir o melhor controle metabólico possível, isto é, níveis de glicose em jejum <110µg/dl ou pós-prandial <140mg/dl ou da glico-hemoglobina abaixo do limite máximo do método empregado. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Glico-hemoglobina

A medida da glico-hemoglobina (GHb) é o parâmetro de escolha para o controle glicêmico a longo prazo. A GHb reflete o grau de controle glicêmico dos 2 a 3 meses prévios. A medida da GHb deve ser realizada 2 vezes por ano em pacientes com controle glicêmico estável e dentro dos objetivos do tratamento e mais freqüentemente a cada 3 a 4 meses em pacientes com controle glicêmico ainda não ótimo nos quais estão se realizando modificações do tratamento. (GROSS, Jorge L. et al.)

A GHb é o produto da reação não-enzimática entre glicose e o grupo amino terminal de um resíduo de valina na cadeia b da hemoglobina. O termo inclui todas as hemoglobinas modificadas com a glicose, incluindo HbA1 e suas frações, bem como as outras hemoglobinas anormais (HbS, HbF, HbC) que, eventualmente, possam estar presentes. A percentagem de GHb depende da concentração de glicose no sangue, do tempo de duração da exposição da hemoglobina à glicose e ao tempo de meia vida dos eritrócitos (~120 dias). Quanto maior a concentração de glicose e maior o período de contato, maior a percentagem da GHb. (GROSS, Jorge L. et al)

Segundo GROSS, Jorge L. et al., cuidados devem ser tomados em relação à fração lábil, temperatura, pH, presença de hemoglobinas anômalas, uremia e lipemia. O clínico deve interpretar com cautela os resultados de GHb e deve manter contato com o laboratório para obter informações sobre os valores de referência, as interferências e sobre a padronização com os resultados do DCCT do método que está sendo utilizado. Idealmente, o método usado deve ser certificado pelo NGSP e deve operar sob um rigoroso controle de qualidade interno.

Frutosamina

A frutosamina é uma proteína glicada, constituída principalmente de albumina, que reflete o controle glicêmico em 1 a 2 semanas anteriores, já que a meia-vida da albumina é de 14 a 20 dias. Embora haja uma boa correlação entre GHb e frutosamina, a medida da frutosamina não deve ser considerada equivalente à da GHb. O papel da frutosamina como um fator preditivo para o desenvolvimento de complicações do diabetes ainda não foi determinado. A medida da frutosamina pode ser um método alternativo para avaliar o controle glicêmico dos pacientes portadores de hemoglobinopatias, nos quais a determinação de GHb é prejudicada na maioria dos métodos disponíveis. (GROSS, Jorge L. et al.)

A frutosamina é medida pela técnica laboratorial da redução do "nitro bluetetrazolium" (NBT) que é simples, barata e pode ser facilmente automatizada. Os valores de frutosamina podem variar em função de mudanças na síntese e depuração das proteínas que podem ocorrer nas doenças hepáticas e nas doenças sistêmicas agudas, entre outras. (GROSS, Jorge L. et al.)

Avaliação da glicemia

A avaliação da glicemia ao longo do dia é uma estratégia importante para se obter o melhor controle metabólico possível. Usualmente esta avaliação é realizada através da obtenção de sangue capilar e colocação em fitas reagentes acopladas a aparelhos que fornecem os resultados em poucos segundos. De uma maneira geral, os aparelhos de leitura que são bastante acurados com um coeficiente de variação abaixo de 5%. Erros comuns podem ocorrer por alteração das fitas decorrentes de exposição ao ar ambiente por longos períodos de tempo e armazenamento de fitas de diferentes lotes em um mesmo frasco. (GROSS, Jorge L. et al.)

A auto-monitorização da glicose capilar está indicada para todo o paciente tratado com insulina ou agentes anti-hiperglicemiantes orais. Em pacientes com diabetes melito tipo 1 é recomendada a realização de 3 ou mais testes por dia. Pacientes em tratamento intensivo com múltiplas doses de insulina ou em uso de bomba de infusão contínua subcutânea de insulina e gestantes devem também realizar testes pós-prandiais (90 a 120 minutos após as principais refeições) e durante a madrugada, ou quando houver suspeita de hipoglicemia. Em situações de modificações no tratamento ou intercorrências clínicas pode ser necessário realizar exames mais freqüentementes. (GROSS, Jorge L. et al.)

A freqüência ótima de realização dos testes não está definida para pacientes com diabetes tipo 2, mas depende do tipo do tratamento realizado (agentes orais ou insulina) e da estabilidade do quadro metabólico. Medidas de glicose pós-prandiais podem ser úteis para avaliar o controle metabólico quando os valores de glico-hemoglobina estiverem elevados na presença de valores glicêmicos pré-prandiais adequados. (GROSS, Jorge L. et al.)

Recentemente, foram desenvolvidas técnicas não dolorosas e automáticas que permitem uma avaliação não invasiva e mais freqüente da glicose capilar. O GlucoWatch é um dispositivo não invasivo automático aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Funciona como um relógio ao redor do punho e extrai glicose através da pele pela aplicação de um potencial (iontoforese), medindo a glicose da amostra extraída através de um sensor eletroquímico enzimático. A extração e leitura levam 20 minutos e podem ser obtidas e visualizadas no mostrador até 3 medidas por hora. A área do braço onde é colocado o relógio deve ser depilada, é necessário repor um gel sensor e trocar o dispositivo de braço a cada 12 horas e fazer nova calibração (com medida de glicose capilar através de aparelhos tradicionais) (GROSS, Jorge L. et al.)

Uma outra técnica também aprovado pelo FDA é a de um dispositivo que mede a glicose por método enzimático no fluido intersticial por um período de até 3 dias. Um sensor é colocado no tecido celular subcutâneo e ligado a um aparelho de registro de tamanho aproximado de uma bomba de infusão de insulina. São registradas leituras a cada 15 minutos. Entretanto, a leitura ainda não é feita em um visor simultâneo, mas posteriormente em um microcomputador utilizando um programa específico. Este dispositivo pode ser útil em pacientes em uso de tratamento intensificado (bombas de infusão subcutânea ou múltiplas doses), para diagnóstico de hipoglicemia não percebida ou ainda em gestantes. Idealmente, no futuro estes dispositivos serão acoplados a sensores de glicose de bombas de infusão contínua de insulina (subcutâneas ou intraperitoniais), de tal maneira que modificações de glicose plasmática sejam automaticamente corrigidas através de modificações na infusão de insulina. (GROSS, Jorge L. et al.)

Medida da glicose na urina

O uso de fitas reagentes que fazem uma medida semi-quantitativa da glicose na urina é de fácil realização e de baixo custo. Vários fatores, entretanto, limitam seu uso como método para avaliação de controle glicêmico. A glicosúria só se torna positiva quando a sua concentração sérica é superior a 180mg/dl em pacientes com função renal normal e com valores ainda mais elevados em pacientes com nefropatia diabética. A medida da concentração de glicose obtida através das fitas na urina é alterada pelo volume, reflete o valor médio correspondente ao período do intervalo de coleta e não dá uma idéia de como está a glicose no sangue no momento da realização do teste. Apesar destas limitações, a medida de glicosúria deve ser indicada para pacientes em uso de insulina que não têm condições de realizar medida de glicose capilar antes das refeições e ao deitar. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

A realização do teste após as refeições permitiria um controle metabólico mais adequado e tem sido recomendada para pacientes com diabetes melito tipo 2. A medida em uma segunda amostra de urina (dupla micção) não parece ser mais vantajosa do que a medida em uma primeira amostra de urina, independente do horário de coleta. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Medida de corpos cetônicos na urina

A presença de cetonúria verificada através de fitas reagentes e associada a elevados níveis de glicose plasmática indica um grave distúrbio metabólico e necessidade imediata de intervenção. É o principal teste para evitar o aparecimento da cetoacidose diabética. O paciente com diabetes melito tipo 1 deve ser orientado a realizar o teste sempre que houver uma alteração importante em seu estado de saúde, principalmente na presença de infecções, quando os valores de glicose capilar forem consistentemente superiores a 240-300mg/dl, na gestação ou quando houver sintomas compatíveis com cetoacidose diabética (náuseas, vômitos e dor abdominal). (GROSS, Jorge L. et al.)

Deve ser lembrado que a presença de corpos cetônicos na urina durante o jejum ocorre em mais de 30% dos indivíduos normais na primeira urina da manhã e que resultados falsamente positivos podem ocorrer na presença de medicamentos com grupo sulfidril, como o captopril. Resultados falso negativos podem ocorrer quando a urina ficar exposta ao ar por longo período de tempo ou quando a urina for muito ácida, como ocorre após ingestão de grande quantidades de vitamina C. (GROSS, Jorge L. et al.)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LERCO, Mauro Masson et al. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/acb/v18n2/15197.pdf 
GROSS, Jorge L. et al. Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2002, vol.46, n.1, pp. 16-26. ISSN 0004-2730.  http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302002000100004. 
(Tuomilehto J. 2001) Prevention of type 2 diabetes mellitus by changes in lifestyle among subjects with impaired glucose tolerance. http://www.scielo.br/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0004-2730200200010000400007&lng=en&pid=S0004-27302002000100004)

Espero ter ajudado!!

Att, Rafael Silva Brandão