Traduzir página

sábado, 22 de março de 2014

Diabetes Mellitus - Revisão bibliográfica

Caros leitores, devido a notável complexidade da disciplina de Análises Clínicas, resolvi elaborar uma pequena revisão bibliográfica sobre Diabetes Mellitus. Declaro que tal abordagem sobre assunto tem caráter exclusivamente acadêmico, e não deve servir como base para tratamentos ou indicações terapêuticas. Ressalto que tratamentos e recomendações terapêuticas são de responsabilidade exclusiva de médicos. A reprodução desse material é permitida desde que sejam citadas suas respectivas referências bibliográficas.

Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus inclui um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção de insulina e/ou em sua ação. A hiperglicemia se manifesta por sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia e visão turva ou por complicações agudas que podem levar a risco de vida: a cetoacidose diabética e a síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica. A hiperglicemia crônica está associada a dano, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sangüíneos. (GROSS, Jorge L. et al.)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS 2001) o Diabetes Mellitus é um problema de saúde pública mundial. Estima-se que existam mais de 150 milhões de pessoas com diabetes no mundo, sendo que algumas projeções da OMS para 2025 sugerem que esse número possa chegar a 300 milhões.

No Brasil, aproximadamente 50% das pessoas com diabetes desconhecem sua condição mórbida sendo que 10% delas são portadoras de diabetes do tipo I. Em alguns países esse percentual sobe para 80% (OMS 2001).

Mesmo com o advento de novas tecnologias, o avanço da medicina e uma elevada otimização dos métodos de diagnóstico, lamentavelmente o diabetes ainda é, hoje, uma das principais causas de incapacitação física para o trabalho, tornando o seu portador 25 vezes mais propenso à cegueira, 17 vezes mais susceptível à nefropatia, com chances cinco vezes maiores de uma amputação de membros e o dobro de risco de uma doença cardiovascular. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

O diabetes está associado ao aumento da aterosclerose, observada em autópsias de infarto agudo do miocárdio, elevando as chances de desenvolver trombose e infarto cerebral, bem como gangrena de membros inferiores, numa incidência duas vezes maior que a população não-diabética. Embora a aterosclerose isolada seja um importante fator de risco para essas afecções, freqüentemente ela é complicada pela presença da microangiopatia diabética disseminada. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Alterações da tolerância a glicose e diabetes são freqüentes na população adulta e estão associados a um aumento da mortalidade por doença cardiovascular e complicações microvasculares. O diagnóstico destas situações deve ser feito precocemente, utilizando métodos sensíveis e acurados. (GROSS, Jorge L. et al.)

GROSS, Jorge L. et al. Afirmam que o teste oral de tolerância à glicose é o método de referência, considerando-se a presença de diabetes ou tolerância à glicose diminuída quando a glicose plasmática de 2h após a ingestão de 75g de glicose for ³200mg/dl ou ³140 e <200mg/dl, respectivamente. Quando este teste não puder ser realizado, utiliza-se a medida da glicose plasmática em jejum, considerando-se como diabetes ou glicose alterada em jejum quando os valores forem ³126mg/dl ou³110 e <126mg/dl, respectivamente.

A medida da glico-hemoglobina não deve ser utilizada para o diagnóstico, mas é o método de referência para avaliar o grau de controle glicêmico longo prazo.

A classificação etiológica proposta atualmente para o diabetes melito inclui 4 categorias: diabetes melito tipo 1, diabetes melito tipo 2, outros tipos específicos de diabetes e diabetes gestacional. A classificação do paciente é usualmente feita em bases clínicas, mas a medida de auto-anticorpos e do peptídeo C pode ser útil em alguns casos. (GROSS, Jorge L. et al.)

Estudos de intervenção demonstraram que a obtenção do melhor controle glicêmico possível retardou o aparecimento de complicações crônicas microvasculares, embora não tenha tido um efeito significativo na redução de mortalidade por doença cardiovascular. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Estudo demonstrou que é possível diminuir significativamente a incidência de novos casos de diabetes através de medidas de intervenção como a realização de exercícios físicos e redução de peso em pacientes com alterações da homeostase glicêmica ainda não classificadas como diabetes. (Tuomilehto J. 2001)

O diagnóstico do diabetes baseia-se fundamentalmente nas alterações da glicose plasmática de jejum ou após uma sobrecarga de glicose por via oral. A medida da glico-hemoglobina não apresenta acurácia diagnóstica adequada e não deve ser utilizada para o diagnóstico de diabetes. (GROSS, Jorge L. et al.)

GROSS, Jorge L. et al., afirmam que para que o diagnóstico seja estabelecido em adultos fora da gravidez, os valores devem ser confirmados em um dia subseqüente, por qualquer um dos critérios descritos. A confirmação não é necessária em um paciente com sintomas típicos de descompensação e com medida de níveis de glicose plasmática ³200mg/dl.

Os critérios diagnósticos baseiam-se na glicose plasmática de jejum (8 horas), nos pontos de jejum e de 2h após sobrecarga oral de 75g de glicose (teste oral de tolerância à glicose – TOTG) e na medida da glicose plasmática casual. O quadro inclui as diversas categorias diagnósticas para adultos e para o diabetes gestacional. (GROSS, Jorge L. et al.)

Para o diagnóstico do diabetes em crianças que não apresentam um quadro característico de descompensação metabólica com poliúria, polidipsia e emagrecimento ou de cetoacidose diabética, são adotados os mesmos critérios diagnósticos empregados para os adultos. Quando houver a indicação de um TOTG, utiliza-se 1,75g/kg de glicose (máximo 75g). (GROSS, Jorge L. et al.)


Aspectos laboratoriais da medida da glicose plasmática

A glicose, idealmente, deve ser medida em plasma livre de hemólise. Os anticoagulantes mais comuns (heparina, EDTA, citrato, oxalato) não interferem na dosagem. A glicose no sangue total sofre glicólise a uma velocidade considerável (7mg/dl/h) quando conservada na temperatura ambiente (18-25°C), portanto a amostra deve ser centrifugada imediatamente após a coleta. O plasma deve ser separado das células o mais rápido possível e é estável por 48 horas sob refrigeração. Quando este procedimento não pode ser realizado, é recomendado que a coleta seja feita em tubos acrescidos de um inibidor da glicólise, como o fluoreto de sódio. O sangue total fluoretado, refrigerado ou mantido em banho de gelo, previne a glicólise por 1 hora. O jejum recomendado é de no mínimo 8 horas, tanto para as dosagens de jejum isoladas como para o TOTG. (GROSS, Jorge L. et al.)

Os métodos de análise preferidos são os enzimáticos e os métodos químicos estão em desuso por não apresentarem a especificidade adequada. Várias enzimas, com especificidade máxima para a glicose, têm sido empregadas nos reagentes atuais. A glicose oxidase é a mais usada, mas enzimas como a hexoquinase e a glicose desidrogenase também podem ser utilizadas. Os métodos enzimáticos são exatos, precisos, baratos e podem ser facilmente automatizados. (GROSS, Jorge L. et al.)

AVALIAÇÃO DO CONTROLE GLICÊMICO DO PACIENTE DIABÉTICO

Depois de estabelecido o diagnóstico de diabetes, os pacientes iniciam diversas modalidades de tratamento para corrigir a hiperglicemia, procurando atingir o melhor controle metabólico possível, isto é, níveis de glicose em jejum <110µg/dl ou pós-prandial <140mg/dl ou da glico-hemoglobina abaixo do limite máximo do método empregado. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Glico-hemoglobina

A medida da glico-hemoglobina (GHb) é o parâmetro de escolha para o controle glicêmico a longo prazo. A GHb reflete o grau de controle glicêmico dos 2 a 3 meses prévios. A medida da GHb deve ser realizada 2 vezes por ano em pacientes com controle glicêmico estável e dentro dos objetivos do tratamento e mais freqüentemente a cada 3 a 4 meses em pacientes com controle glicêmico ainda não ótimo nos quais estão se realizando modificações do tratamento. (GROSS, Jorge L. et al.)

A GHb é o produto da reação não-enzimática entre glicose e o grupo amino terminal de um resíduo de valina na cadeia b da hemoglobina. O termo inclui todas as hemoglobinas modificadas com a glicose, incluindo HbA1 e suas frações, bem como as outras hemoglobinas anormais (HbS, HbF, HbC) que, eventualmente, possam estar presentes. A percentagem de GHb depende da concentração de glicose no sangue, do tempo de duração da exposição da hemoglobina à glicose e ao tempo de meia vida dos eritrócitos (~120 dias). Quanto maior a concentração de glicose e maior o período de contato, maior a percentagem da GHb. (GROSS, Jorge L. et al)

Segundo GROSS, Jorge L. et al., cuidados devem ser tomados em relação à fração lábil, temperatura, pH, presença de hemoglobinas anômalas, uremia e lipemia. O clínico deve interpretar com cautela os resultados de GHb e deve manter contato com o laboratório para obter informações sobre os valores de referência, as interferências e sobre a padronização com os resultados do DCCT do método que está sendo utilizado. Idealmente, o método usado deve ser certificado pelo NGSP e deve operar sob um rigoroso controle de qualidade interno.

Frutosamina

A frutosamina é uma proteína glicada, constituída principalmente de albumina, que reflete o controle glicêmico em 1 a 2 semanas anteriores, já que a meia-vida da albumina é de 14 a 20 dias. Embora haja uma boa correlação entre GHb e frutosamina, a medida da frutosamina não deve ser considerada equivalente à da GHb. O papel da frutosamina como um fator preditivo para o desenvolvimento de complicações do diabetes ainda não foi determinado. A medida da frutosamina pode ser um método alternativo para avaliar o controle glicêmico dos pacientes portadores de hemoglobinopatias, nos quais a determinação de GHb é prejudicada na maioria dos métodos disponíveis. (GROSS, Jorge L. et al.)

A frutosamina é medida pela técnica laboratorial da redução do "nitro bluetetrazolium" (NBT) que é simples, barata e pode ser facilmente automatizada. Os valores de frutosamina podem variar em função de mudanças na síntese e depuração das proteínas que podem ocorrer nas doenças hepáticas e nas doenças sistêmicas agudas, entre outras. (GROSS, Jorge L. et al.)

Avaliação da glicemia

A avaliação da glicemia ao longo do dia é uma estratégia importante para se obter o melhor controle metabólico possível. Usualmente esta avaliação é realizada através da obtenção de sangue capilar e colocação em fitas reagentes acopladas a aparelhos que fornecem os resultados em poucos segundos. De uma maneira geral, os aparelhos de leitura que são bastante acurados com um coeficiente de variação abaixo de 5%. Erros comuns podem ocorrer por alteração das fitas decorrentes de exposição ao ar ambiente por longos períodos de tempo e armazenamento de fitas de diferentes lotes em um mesmo frasco. (GROSS, Jorge L. et al.)

A auto-monitorização da glicose capilar está indicada para todo o paciente tratado com insulina ou agentes anti-hiperglicemiantes orais. Em pacientes com diabetes melito tipo 1 é recomendada a realização de 3 ou mais testes por dia. Pacientes em tratamento intensivo com múltiplas doses de insulina ou em uso de bomba de infusão contínua subcutânea de insulina e gestantes devem também realizar testes pós-prandiais (90 a 120 minutos após as principais refeições) e durante a madrugada, ou quando houver suspeita de hipoglicemia. Em situações de modificações no tratamento ou intercorrências clínicas pode ser necessário realizar exames mais freqüentementes. (GROSS, Jorge L. et al.)

A freqüência ótima de realização dos testes não está definida para pacientes com diabetes tipo 2, mas depende do tipo do tratamento realizado (agentes orais ou insulina) e da estabilidade do quadro metabólico. Medidas de glicose pós-prandiais podem ser úteis para avaliar o controle metabólico quando os valores de glico-hemoglobina estiverem elevados na presença de valores glicêmicos pré-prandiais adequados. (GROSS, Jorge L. et al.)

Recentemente, foram desenvolvidas técnicas não dolorosas e automáticas que permitem uma avaliação não invasiva e mais freqüente da glicose capilar. O GlucoWatch é um dispositivo não invasivo automático aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Funciona como um relógio ao redor do punho e extrai glicose através da pele pela aplicação de um potencial (iontoforese), medindo a glicose da amostra extraída através de um sensor eletroquímico enzimático. A extração e leitura levam 20 minutos e podem ser obtidas e visualizadas no mostrador até 3 medidas por hora. A área do braço onde é colocado o relógio deve ser depilada, é necessário repor um gel sensor e trocar o dispositivo de braço a cada 12 horas e fazer nova calibração (com medida de glicose capilar através de aparelhos tradicionais) (GROSS, Jorge L. et al.)

Uma outra técnica também aprovado pelo FDA é a de um dispositivo que mede a glicose por método enzimático no fluido intersticial por um período de até 3 dias. Um sensor é colocado no tecido celular subcutâneo e ligado a um aparelho de registro de tamanho aproximado de uma bomba de infusão de insulina. São registradas leituras a cada 15 minutos. Entretanto, a leitura ainda não é feita em um visor simultâneo, mas posteriormente em um microcomputador utilizando um programa específico. Este dispositivo pode ser útil em pacientes em uso de tratamento intensificado (bombas de infusão subcutânea ou múltiplas doses), para diagnóstico de hipoglicemia não percebida ou ainda em gestantes. Idealmente, no futuro estes dispositivos serão acoplados a sensores de glicose de bombas de infusão contínua de insulina (subcutâneas ou intraperitoniais), de tal maneira que modificações de glicose plasmática sejam automaticamente corrigidas através de modificações na infusão de insulina. (GROSS, Jorge L. et al.)

Medida da glicose na urina

O uso de fitas reagentes que fazem uma medida semi-quantitativa da glicose na urina é de fácil realização e de baixo custo. Vários fatores, entretanto, limitam seu uso como método para avaliação de controle glicêmico. A glicosúria só se torna positiva quando a sua concentração sérica é superior a 180mg/dl em pacientes com função renal normal e com valores ainda mais elevados em pacientes com nefropatia diabética. A medida da concentração de glicose obtida através das fitas na urina é alterada pelo volume, reflete o valor médio correspondente ao período do intervalo de coleta e não dá uma idéia de como está a glicose no sangue no momento da realização do teste. Apesar destas limitações, a medida de glicosúria deve ser indicada para pacientes em uso de insulina que não têm condições de realizar medida de glicose capilar antes das refeições e ao deitar. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

A realização do teste após as refeições permitiria um controle metabólico mais adequado e tem sido recomendada para pacientes com diabetes melito tipo 2. A medida em uma segunda amostra de urina (dupla micção) não parece ser mais vantajosa do que a medida em uma primeira amostra de urina, independente do horário de coleta. (LERCO, MAURO, MASSO Et AL.)

Medida de corpos cetônicos na urina

A presença de cetonúria verificada através de fitas reagentes e associada a elevados níveis de glicose plasmática indica um grave distúrbio metabólico e necessidade imediata de intervenção. É o principal teste para evitar o aparecimento da cetoacidose diabética. O paciente com diabetes melito tipo 1 deve ser orientado a realizar o teste sempre que houver uma alteração importante em seu estado de saúde, principalmente na presença de infecções, quando os valores de glicose capilar forem consistentemente superiores a 240-300mg/dl, na gestação ou quando houver sintomas compatíveis com cetoacidose diabética (náuseas, vômitos e dor abdominal). (GROSS, Jorge L. et al.)

Deve ser lembrado que a presença de corpos cetônicos na urina durante o jejum ocorre em mais de 30% dos indivíduos normais na primeira urina da manhã e que resultados falsamente positivos podem ocorrer na presença de medicamentos com grupo sulfidril, como o captopril. Resultados falso negativos podem ocorrer quando a urina ficar exposta ao ar por longo período de tempo ou quando a urina for muito ácida, como ocorre após ingestão de grande quantidades de vitamina C. (GROSS, Jorge L. et al.)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LERCO, Mauro Masson et al. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/acb/v18n2/15197.pdf 
GROSS, Jorge L. et al. Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2002, vol.46, n.1, pp. 16-26. ISSN 0004-2730.  http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302002000100004. 
(Tuomilehto J. 2001) Prevention of type 2 diabetes mellitus by changes in lifestyle among subjects with impaired glucose tolerance. http://www.scielo.br/scieloOrg/php/reflinks.php?refpid=S0004-2730200200010000400007&lng=en&pid=S0004-27302002000100004)

Espero ter ajudado!!

Att, Rafael Silva Brandão


Genes podem indicar o formato de seu rosto

Olivia Wilde, fonte: Google images
Caros leitores, uma pesquisa interessante publicada essa semana na revista Galileu mostrou que é possível obter várias informações sobre o rosto humano a partir do DNA de um fio de cabelo. Pesquisadores da Universidade Estadual da Pennsylvania (nos EUA) descobriram genes que definem diversas características faciais.
A partir desses genes, os pesquisadores foram capazes de criar modelos em 3D do rosto de 592 voluntários. E, comparando os genomas dessas pessoas, foi possível identificar 24 marcadores associados com a forma do rosto. 
Certamente, essa descoberta é importante para a ciência forense, isto pois, conseguir identificar o rosto de criminosos a partir de pequenas amostras de DNA facilitará muitas investigações. Mas, por enquanto, é possível entender apenas o formato do rosto a partir dos genes - a técnica ainda é muito rudimentar para identificar suspeitos. Portanto, os profissionais peritos ainda precisarão esperar mais alguns anos até que a pesquisa esteja completamente desenvolvida.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Exame que pode prevê o Mal de Alzeimer em pessoas sadias


Caros leitores, de acordo com pesquisadores americanos, um exame de sangue pode prever com precisão o aparecimento da doença de Alzheimer. Eles mostraram que testes de nível de 10 gorduras no sangue permitiria detectar - com 90% de precisão - o risco de uma pessoa desenvolver a doença nos próximos três anos.

Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, agora passarão por testes clínicos mais específicos. Os especialistas dizem que os resultados ainda precisam ser confirmados, mas que tal exame seria 'um verdadeiro passo em frente.'  

Há 44 milhões de pessoas vivendo com demência em todo o mundo, número que deve triplicar até 2050. A doença ataca o cérebro 'silenciosamente' por mais de uma década antes que os sintomas surjam. Os médicos acreditam que tratamentos com remédios estão falhando porque os pacientes estão sendo submetidos a eles tarde demais. É por isso que a descoberta de um teste que prevê o risco de demência é uma das principais prioridades para o campo.


Cientistas da Universidade de Georgetown, em Washington D.C., analisaram amostras de sangue de 525 pessoas com idade superior a 70 anos, como parte de um estudo de cinco anos. Eles compararam os exames de 53 deles que desenvolveram Alzheimer, ou algum comprometimento cognitivo leve, com os de 53 que permaneceram mentalmente ágeis. Os pesquisadores encontraram diferenças nos níveis de lipídos, ou 10 gorduras, entre os dois grupos. E quando a equipe olhou as outras amostras de sangue, esses 10 marcadores de Alzheimer permitiam prever em quem era provável que o declínio mental surgisse nos anos seguintes.

Howard Federoff, professor de neurologia na Universidade de Georgetown, disse à BBC: 'Há enorme necessidade de um exame como este. Mas temos de testar com um maior número de pessoas antes que possa ser utilizado na prática clínica.' Agora os pesquisadores estão investigando se o exame funciona para prever a doença com ainda mais antecedência do que três anos. Não está claro exatamente o que está causando as mudanças de gorduras no sangue, mas poderia ser um resíduo das primeiras mudanças no cérebro.

Um teste bem sucedido para a doença de Alzheimer pode transformar a pesquisa médica e permitir testar tratamentos com medicamentos em um estágio muito anterior da doença.

Segundo Federoff, abrandar o ritmo da doença pode ter um enorme impacto: 'Mesmo um pequeno atraso de sintomas já terá um benefício econômico tremendo só em termos do custo do atendimento.'

Simon Ridley, médico de uma ONG que pesquisa a doença no Reino Unido, disse que os resultados foram encorajadores. 'Para testar a eficácia de potenciais novos medicamentos, é importante ser capaz de recrutar pessoas para ensaios clínicos nas fases iniciais da doença, quando esses tratamentos são potencialmente mais eficazes'. Doug Brown, médico da Alzheimer's Society's, outra instituição britânica especializada no tema, disse que o teste poderia representar desafios éticos.

'Se isso se desenvolver no futuro, deve ser dada às pessoas a possibilidade de escolha sobre se gostariam de saber, compreendendo plenamente as implicações'.




Atenciosamente, Rafael Brandão - Biomedicina



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Importante saber

Caros leitores, profissionais da área da saúde em geral. Segue uma lista de pequenos detalhes que nunca devemos esquecer sobre nossos pacientes. São os direitos deles.

1. É direito do paciente receber atendimentos humanos, atenciosos e respeitosos por parte dos profissionais de saúde de todas as disciplinas. O local do atendimento deve ser digno e adequado para um bom e eficaz atendimento.

2. É direito do paciente ser identificado pelo sobrenome e nome. Não deve ser chamado pelo nome de sua doença, patologia ou agravo à saúde ou ainda de forma genérica, imprópria, desrespeitosa ou, preconceituosa.

3. O paciente tem direito a receber atenção adequada dos funcionários presentes no local, incluindo auxílio imediato e oportuno para a melhoria de seu estado e para seu conforto e bem-estar.

4. É direito dos pacientes e seus familiares identificar todos os funcionários e profissionais envolvidos no atendimento, mediante crachá que exiba o nome completo, a função e o cargo.

5. O paciente tem direito a consultas marcadas antecipadamente, de tal forma que o tempo de espera não ultrapasse trinta (30) minutos.

6. Durante a realização de exames laboratoriais, procedimentos e cirurgias, é direito do paciente que todo o material utilizado seja descartável ou rigorosamente esterilizado segundo as normas de higiene e prevenção estabelecidas pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (ANVISA).

7. O paciente tem direito de exigir que o comportamento dos profissionais de saúde cumpra com as exigências pautadas pelos respectivos Conselhos Federais.

8. É direito do paciente receber informações sobre sua doença, de forma clara, simples e que facilite sua compreensão, de acordo com a sua condição cultural. As explicações sobre o diagnóstico e as opções terapêuticas devem ser pontuais e detalhadas. O paciente deve ser informado sobre a localização de sua doença, a duração do tratamento e sobre o que pode ocorrer durante o mesmo. Se forem necessárias intervenções cirúrgicas, de quaisquer tipos, deverá ser informado da necessidade ou não de anestesia, do tipo de instrumental e equipamentos que serão utilizados e quais as partes do seu corpo a serem afetadas pelos procedimentos.

9. O paciente tem direito de receber explicações detalhadas e claras sobre o(s) exame(s) a que será submetido. Deve receber explicações sobre a finalidade do material a ser coletado para exame laboratorial. 

10. O paciente tem direito a ser informado e esclarecido se o tratamento é experimental ou faz parte de pesquisa, se os benefícios a serem obtidos são proporcionais aos riscos envolvidos e se existe probabilidade de alteração das condições de dor, sofrimento e desenvolvimento da sua doença.

11. É direito de o paciente consentir ou recusar sua inclusão em procedimentos experimentais ou pesquisas. No caso de impossibilidade de expressar sua vontade, o consentimento deve ser obtido junto a seus familiares ou responsáveis legais, sempre de forma escrita.

12. O paciente tem direito a consentir ou recusar procedimentos diagnósticos ou terapêuticos a serem nele realizados. Deve consentir de forma livre, voluntária e sempre após receber as informações necessárias à tomada de decisão.

13. Após consentir com sua inclusão, o paciente sempre terá o direito de revogar o consentimento, a qualquer instante, por decisões livres, conscientes e esclarecidas, sem que lhe sejam imputadas sanções morais, legais ou que contribuam para a suspensão de seu atendimento.

Fonte: FOPPESP

14. É direito do paciente que seu prontuário seja elaborado de forma legível. Sendo propriedade única do paciente, ele poderá consultá-lo a qualquer momento. As instituições depositárias do prontuário são responsáveis pela utilização ilegal do seu conteúdo. O prontuário deve incluir o conjunto de documentos e informações padronizadas sobre o histórico do paciente, princípio e evolução da doença, raciocínio clínico, exames e seus resultados, condutas terapêuticas e demais relatórios e anotações clínicas. 

15. O paciente tem direito a solicitar e receber o diagnóstico de sua doença e o tratamento indicado por escrito. O documento deve incluir o nome do profissional de saúde e seu registro no respectivo Conselho Profissional, de forma clara elegível.

16. Para seu tratamento, o paciente tem direito à utilização de equipamentos confiáveis e a receber medicamentos eficazes, seguros e de qualidade, na quantidade e prazos estabelecidos pelos profissionais de saúde, como forma de garantir a melhora e manutenção de sua saúde e de sua vida.

17. É direito do paciente receber seus medicamentos devidamente identificados, que exibam a data de fabricação e o prazo de validade, e que estejam acompanhados da bula correspondente redigida de forma clara e em linguagem acessível.

18. É direito dos pacientes receberem e obrigação dos - profissionais entregarem, as receitas com o nome genérico do 1medicamento (Lei do Genérico), datilografadas ou em caligrafia legível, sem a utilização de códigos ou abreviaturas, com o nome do profissional de saúde e seu número de registro no respectivo Conselho Profissional.

19. O paciente tem direita a priorização no agendamento de consulta quando o tratamento e os medicamentos prescritos pelo médico estiverem causando reações indesejadas ou não estiverem contribuindo eficazmente para o sucesso do tratamento.

20. É direito do paciente conhecer e verificar a procedência do sangue antes de receber transfusão e a procedência dos hemo derivados utilizados. É direito do paciente e familiares verificarem se as bolsas e os frascos de hemoderivados contém carimbos ou selos atestando os testes de sorologia efetuados, assim como sua validade.

21. O paciente tem direito de ter registrado no seu prontuário os medicamentos, sangue e hemoderivados recebidos durante o tratamento, com dados sobre a 1 origem, tipo e prazo de validade dos mesmos.

22. O paciente tem direito a ser submetido com antecedência a exames ou testes para determinar se é diabético, portador de algum tipo de anemia ou alérgico a determinados tipos de medicamentos (anestésicos, antibióticos, sulfas, soro antitetânico, etc) antes de esses lhe serem administrados. 

23. O paciente tem direito à segurança e à integridade física nos estabelecimentos de saúde, públicos e privados. 

24. O paciente tem direito de ter acesso às contas detalhadas referentes às despesas de seu tratamento, exames, medicamentos, internação e outros procedimentos médicos. (Portaria do Ministério da Saúde n°. 1286 de 26 de outubro de 1993, Artigo 8° e Portaria n° 74 de 4 de maio de 1994. 

25. E direito do paciente não sofrer discriminação nos serviços de saúde em razão de ser portador de qualquer tipo de doença, em especial doenças infecto-contagiosas e H IV / AIDS.

26. O paciente tem direito ao sigilo profissional sobre seus dados, desde que não acarrete riscos a terceiros ou à saúde pública. Entende-se por dados toda informação que, mesmo desconhecida pelo próprio paciente, permita ao profissional de saúde ter acesso às informações contidas no histórico do  paciente, exames físicos, laboratoriais e radiológicos. 

27. O paciente tem direito a ter sua privacidade preservada, quando internado ou quando estiver aguardando atendimento, tanto para satisfazer suas necessidades fisiológicas quanto higiênicas, inclusive o direito de ser alimentado adequadamente. 

28. Nas consultas ou internações, o paciente que desejar tem direito a acompanhante. As visitas de familiares e amigos devem ser disciplinadas e em horários compatíveis com as atividades medico/sanitárias. Em caso de parto, o pai poderá estar presente. 

29. Por ocasião do parto, a parturiente tem direito de exigir que a maternidade, mantenha, além dos profissionais comumente necessários, a presença de um neonatologista.

30. A parturiente tem direito de exigir que a maternidade realize o "teste do pezinho" para detectar todas as doenças que tal exame permita constatar. 

31. O paciente tem o direito de exigir indenização pecuniária no caso de aparecimento de quaisquer complicações em suas condições de saúde, originadas na imprudência, negligência ou imperícia de qualquer um dos profissionais de saúde envolvidos no seu tratamento.

32. O paciente tem direito a obter assistência adequada mesmo em períodos festivos, feriados ou durante greves dos profissionais. 

33. O paciente tem direito de receber assistência moral, psicológica, social e religiosa.

34. O paciente, tendo qualquer parte de seu corpo comprometida por doença, tem o direito de recusar a retirada da mesma, assumindo a responsabilidade pelos riscos de uma possível piora do seu quadro clínico.

35. O paciente tem direito a uma morte digna e serena, podendo optar ele próprio (desde que lúcido), a família ou responsável, por local ou acompanhamento e ainda se quer ou não o uso de tratamento doloroso ou extraordinário para prolongar sua vida.

36. Mesmo após o falecimento, o corpo do ser humano tem direito a um tratamento digno e de respeito. Os familiares ou responsáveis devem ser avisados imediatamente após a constatação do óbito. 

37. Qualquer cidadão pode, por livre e espontânea vontade, desde que com  prévia aprovação clínica e respeitando sempre a legislação em vigor, doar as partes permitidas de seu corpo, de acordo com a Lei Nacional de Transplante de Órgãos e Tecidos, com a finalidade de tratamento de um paciente que necessite dela para seu tratamento.

38. Após o diagnóstico de morte encefálica, a família deve ser consultada orientada sobre o processo de doação de órgãos e, em havendo anuência, os órgãos transplantáveis poderão ser retirados para doação.
39. O paciente tem direita a assistência jurídica específica para questões de saúde, de fácil acesso e sem ônus.
Espero ter ajudado.


Atenciosamente, Rafael Silva Brandão

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dicas de como exercitar o cérebro

Caros leitores, manter o cérebro ativo é tão importante pra sua saúde mental quanto se mexer é fundamental pra sua saúde física. E para manter o cérebro em forma, o negócio é jamais parar de aprender. Em todos os estágios da sua vida é necessário manter o cérebro trabalhando e assimilando novos conhecimentos. De livros a caça-palavras, tudo vale. Mas a internet, claro, é o reduto mais significativo de recursos pra você se manter aprendendo.

O site OpenCulture separou alguns links e nos inspirou a fazer uma lista também. Olha só:


Cursos online gratuitos 
Existe um guia completo com links e dicas de dezenas de universidades americanas e sites de educação a distância que oferecem cursos (muitos com diplomas) pela web totalmente grátis. No Brasil, sites como o do IPED e até a FGV oferecem também cursos online gratuitos.


Ensino de idiomas
Também vale conferir sites gratuitos para aprender outras línguas, como o LiveMocha, o Babbel e o Duolingo.


Audiolivros gratuitos para download
Neste link do OpenCulture, há uma lista enorme de audiolivros (em inglês, o que já ajuda a aperfeiçoar seu aprendizado de idiomas também!). Entre os títulos, clássicos como Arthur Conan Doyle e Charles Dickens e também escritores modernos, como Neil Gaiman, David Sedaris, José Saramgo e Philip K. Dick.


Livros gratuitos para download legal
O OpenCulture também tem um diretório de livros gratuitos. São 450 títulos, a maioria de autores clássicos, cujos títulos já entraram em domínio público. Outra fonte interessante é o Free e-books e a versão em português do mesmo site.


Filmes grátis para assistir online (legalmente!): sim, isso existe. Nessa lista, você encontra filmes que podem assistir online sem nenhuma culpa, seja por estarem em domínio público ou porque seus atores liberaram esse tipo de exibição.


Espero que tenha ajudado!!




Atenciosamente, Rafael Silva Brandão - Biomedicina

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Efeitos do uso da maconha no organismo humano

Fonte: Google images
Caros leitores, os efeitos do uso da maconha no organismo podem variar de acordo com as características do usuário, com seu estado de espírito, com o ambiente em que ocorre o consumo e também com as características da droga, segundo o biólogo Lucas Maia, doutorando em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

O especialista é coordenador do grupo multidisciplinar "Maconhabras", que, sob a supervisão do médico Elisaldo Carlini, professor da Unifesp, reúne pesquisadores de várias instituições interessados principalmente no uso medicinal da Cannabis sativa. Maia conversou com o G1 sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos da droga, que teve sua venda e cultivo regulamentados por lei aprovada nesta terça-feira (10) no Uruguai. Veja, abaixo, algumas das ações da maconha no organismo humano:

Atividade locomotora
 
A maconha promove, de maneira geral, uma diminuição da atividade motora, fazendo com que a pessoa se movimente menos e possa chegar a um estado de sonolência. Porém, dependendo da dose de tetrahidrocanabinol (THC) – princípio ativo com efeitos mais pronunciados da maconha –, a reação também pode ser oposta, levando a uma sensação de euforia e intensificação dos movimentos.

“Tudo o que envolve os efeitos da cannabis pode parecer ambíguo. Existem análises que mostram que esses efeitos são bidirecionais, dependendo da dose, do indivíduo e do ambiente”, diz Maia.

Frequência cardíaca
 
Principalmente em pessoas que usam a droga pela primeira vez, pode haver um aumento da frequência cardíaca. “Não chega a ser um efeito que pode levar a um infarto, por exemplo, mas é um aumento muito evidente. A pessoa pode se sentir incomodada e ansiosa, e isso pode ser um risco no caso de indivíduos que tenham histórico pessoal ou familiar de transtorno de ansiedade ou pânico”, explica o biólogo.

Diminuição da temperatura e aumento do apetite
 
Assim como a maconha provoca a diminuição da atividade motora, também leva a uma diminuição da temperatura corporal, que configura um quadro de hipotermia. Ela pode ainda estimular o sistema digestivo e aumentar o apetite. Boca seca e olhos avermelhados também são alguns dos efeitos observados após o uso.

Humor
 
Quanto aos efeitos no humor do usuário, a droga tanto pode provocar relaxamento e calma quanto uma sensação de ansiedade e angústia. Novamente, isso depende das características do usuário e da substância. “Maconha com maior concentração de THC tende a induzir reações de ansiedade com maior frequência, em comparação com a maconha com menor concentração de THC, segundo estudos”, compara Maia. Quando o usuário tem histórico médico de ansiedade, os riscos de a droga despertar emoções negativas são maiores.

Pulmões
 
O cigarro de maconha contém muitos dos componentes também presentes no cigarro de tabaco comum. Para comparar os efeitos do tabaco e da maconha na função pulmonar, Maia cita um estudo publicado na revista científica “The Journal of the American Medical Association” (Jama) em 2012.

Os pesquisadores investigaram a associação entre o uso de maconha e possíveis efeitos adversos sobre a função pulmonar em mais de 5 mil pessoas. Os resultados mostraram que o uso intenso por longos períodos (mais de 10 anos) esteve associado a um declínio da capacidade pulmonar. Porém, o uso moderado, por até 7 anos, não causou grandes prejuízos aos pulmões, diferentemente do que foi constatado em fumantes comuns que, com a mesma frequência de uso, já apresentavam fortes efeitos adversos.

Memória
 
A maconha prejudica principalmente a memória de curto prazo e também a chamada memória de trabalho. “São efeitos transitórios, principalmente durante o uso. Mas, se pensarmos que uma pessoa usa a droga todos os dias, vai estar o tempo todo sob esse efeito prejudicial e não vai reter informações”, diz o pesquisador. Maia afirma que, depois de 28 dias sem usar a substância, as funções de memória e cognição voltam a ficar estabilizadas.

Dependência
 
Maia afirma que, apesar de existirem casos de dependência de maconha, ainda não foram feitos estudos clínicos que demonstrem, de forma clara, quais são os mecanismos desse tipo de dependência. “É um estudo difícil de ser conduzido. O que se sabe é que de 5% a 8% dos usuários da droga ficam dependentes. A porcentagem é baixa se comparada a outras substâncias, como nicotina, cocaína ou heroína”, diz.

A dependência, no caso da maconha, pode se caracterizar pela necessidade de aumentar a dose para obter os mesmos efeitos e também pelos sintomas de abstinência, como irritabilidade, falta de apetite e insônia.

Uso terapêutico

A eficácia do uso terapêutico da maconha está comprovada para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia contra o câncer, amenizando náuseas e vômitos. Para pacientes com Aids em estágio terminal, que apresentem falta de apetite, a droga também pode estimular a fome e proporcionar uma melhor qualidade de vida à pessoa.

Estudos mostram, ainda, a eficácia da droga para reduzir dores neuropáticas em várias doenças, como esclerose múltipla. Os efeitos analgésicos da maconha podem, inclusive, substituir medicamentos como a morfina em casos em que o paciente desenvolve intolerância ao fármaco.

Em caso de glaucoma (lesão do nervo óptico), a Cannabis pode ter efeito redutor da pressão intraocular. Para quem tem epilepsia, estudos mostram que medicamentos à base de canabidiol podem ter efeitos anticonvulsivantes.



Atenciosamente, Rafael Silva Brandão - Biomedicina